quarta-feira, 7 de abril de 2010

O medo do coletivo


Explorando um pouco as minhas ‘anormalidades’ confesso hoje que tenho uma relação intensa de amor e ódio com os ônibus. Digo entre tapas e beijos porque desde que me entendo por gente isso era uma coisa que não sabia o que era.
Mais nas minhas novas experiência com esse tipo de tranporte pode perceber a parte afetuosa da coisa se dá pelo fato de que dentro dos ônibus que me levam de lá para cá, costumo ter instantes de autoconhecimento pleno.
Sei lá, podem ser as paisagens, as pessoas desconhecidas, as paradas demoradas ou o fato de não ter que conversar com ninguém que me leva a aproveitar cada minuto deste passeio para dar uma revisada na minha mente, nos meus objetivos, crises existências e elaboração de deliciosas fantasias.
Olhando pela janela eu me sinto ao mesmo tempo parte da sociedade e dentro de um mundo apenas meu. Obviamente que tudo isso só é possível se o veículo tiver certas condições. Não digo ar-condicionado, cadeiras acolchoadas ou nada do tipo. Vento na cara sempre foi um dos meus maiores baratos.
Falo sobre pequenas frescurinhas que fazem toda a diferença entre andar de ônibus e ser parte do elenco de “A morte pede carona”. E olha, são muitos detalhes mesmo. Vou tentar resumir ao máximo nos tópicos abaixo.
1- A parada: O início de tudo. Claro que para ter as minhas ‘grandes’ revelações durante a viagem, eu preciso subir no ônibus. Tarefinha nada fácil, principalmente se certos horários forem levados em conta. Entre 19:00 e as 22 horas é praticamente IMPOSSÍVEL conseguir pegar o maldito ônibus e se estiver em algum lugar e tiver que pegar esse meio de condução no horário das 18hs nussa, assentos disponíveis e uma possibilidade quase 0% de achar. Mas o pior de tudo isso neste quesito é ser surpreendida por um motorista sacana.
A raça é normalmente distinguida por aqueles que fazem duas coisinhas bem peculiares. Primeiro: Para atrás de outro carro e quando você sai correndo para alcançá-lo, ele dobra para a pista e vai embora. O segundo é de trincar os dentes de ódio. É o cidadão atrás do volante que te vê acenando o bracinho e acelera em disparada adiante.
Nessas horas vale tudo. Xingar o infeliz em alto e bom som para que terceiros na parada ouçam, torcer para que o automóvel capote mais na frente ou, a que eu faço melhor, disfarço e passo a mesma mão que tava balançando, nos cabelos.
2- A modinha dos terminais: Ultimamente meus pensamentos perdem o fio da meada porque simplesmente algum idiota decidiu que TODOS os ônibus devem parar nestes locais. Não digo parar de deixar uma leva de passageiros e buscar outros, mas de realmente forçar todo mundo a descer para que cobradores e motoristas tenham 10 minutinhos de descanso.
Sim, eles também merecem,...Sei que estou sendo egoísta, mas não gosto de descer onde não é meu ponto de chegada. Irrita. Muito.
3- Janelas estrategicamente mal colocadas: Amo brisa. Venero sentir o sol na minha cara depois de passar horas e mais horas trabalhando em um ambiente que faz o Pólo Norte parecer o Caribe. Por isso que fico tão mal humorada quando percebo que a linha que eu peguei só possui aquelas janelas superiores.
Sem lógica. Aquilo ali não ventila ninguém e deixa o ambiente terrivelmente abafado.
4- Seres humanos: Ah, minha agonia eterna. São tantas reclamações que não sei por onde começar. Mas, ‘hey ho, let’s go’. Primeiramente tenho que criticar a carência excessiva.
Estou lá de boas dentro do ônibus. Quase sem ninguém e com outros 15 ou 20 lugares disponíveis. De repente entra aquele tipo de pessoa que você já sabe que deve ter o estilo de abraçar semi-desconhecidos na balada perguntando ‘cê é meu abigo?’ quando bêbado. E senta justamente do meu lado. Nussa e começa Roçando o cotovelo a cada momento no meu braço.
Fúria total nessas horas. Se já não gosto de contato físico forçado quando o coletivo está lotado, imagine o que vem de forma voluntária por parte de terceiros. Assim não da.
Sem contar naqueles carinhas que tentam puxar assunto te chavecando e você doida para chegar o momento de um dois dois descerem para poder se livrar logo do antipático.
Ainda neste ponto, vez ou outra somos passiveis de termos um companheiro de poltrona com
narcolepsia . É de dar angustia, o cidadão vem como não quer nada de olhinhos fechadinhos encostando vagarosamente no meu ombro. Cada freada é uma balançada de cabeça brusca ao estilo ‘onde estou?’ e ‘quem sou eu?’.
Quer dormir? Caia no sono nas cadeiras solitárias. Não crie suspense como se fosse babar, roncar e usar meu ombro de travesseiro.
Tá bom, parei. Texto ficando enorme e ainda falta muito mais. Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

Um comentário:

Gildean Farias disse...

Muito legal amiga!! Criatividade e bom humor pra falar de um assunto que é comum a tanta gente... assim como eu! rsrsrsrs Seu blog é muito legal... Continue escrevendo com essa dose de humor, realidade e "toque feminino". É muito gostoso de ler! PARABÉNS!!!

Ah! E espero q continue acompanhando minhas postagens nos meus blogs (www.gildeanfarias.blogspot.com) e (www.tribunalivreonline.blogspot.com)

ABRAÇOS e XEROSS!!